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quinta-feira, março 25, 2010

O Sapo e a Hiper-Realidade



A hiper-realidade é um conceito da filosofia contemporânea que é difundido por alguns teóricos como Jean Baudrillard, Albert Borgmann, Daniel Boorstin e Umberto Eco.
A hiper-realidade é quando vemos a realidade e a percebemos de um modo em que fantasiamos essa realidade existente. Então essa realidade passa a ficar diferente da realidade existente e mais próximo de um mundo em que sonhamos. Percebemos a realidade mais próxima aos nossos sonhos do que da realidade em si. Isso se chama hiper-realidade.
Alguns exemplos existentes hoje de hiper-realidade são a Disney World, uma árvore de Natal de plástico que parece ser mais bonita do que a árvore de Natal de verdade, revistas com fotos de modelos que são retocados por computador, um jardim impecável, como se tivesse ido à manicure, algumas cidades como Brasília e Las Vegas e por incrível que pareça o próprio Central Park. Pois o Central Park em NY embora muita gente não saiba ele é artificial e não tem nada de natural. Os lagos fontes e cachoeiras lá são ligados ou desligados por botões e torneiras. Quando chove muito eles fecham as torneiras de algumas cachoeiras para os lagos não transbordem. E muitos americanos não sabem disso. Passam por lá achando que tudo é natural e nem se dão conta de que estão em uma hiper-realidade.
Muitas vezes estamos em uma hiper-realidade e nem nos damos conta. Quando bebemos um refrigerante como por exemplo, Soda sabor cereja, na verdade nenhuma cereja foi colocada no refrigerante e bebemos um sabor artificial de cereja. Achamos que estamos bebendo algo que foi feito de cereja e na verdade não foi. Mais uma vez entramos na hiper-realidade sem nem nos darmos conta que entramos. No mundo atual a maioria das vezes em que entramos na hiper-realidade nem percebemos que entramos nela.
É como a estória do sapo e da água quente. Se colocarmos um sapo na água quente ele percebe a realidade e pula fora. Mas se o colocarmos em uma água morna e formos aquelcendo aos pouquinhos ele vai ficar lá até a água ferver ou que alguém o tire antes de morrer. Pois ele não percebe a hiper-realidade e acha que ainda está na água morna.
É o que está acontecendo com nós. Nós não estamos percebendo a hiper-realidade e todos os anos gastamos dinheiro com coisas superflúas como jogos, viagens, cassinos em Las Vegas, roupas caras, produtos de luxo, etc que são elementos da hiper-realidade. Até ai tudo bem. O problema é que tem muita gente falindo por causa de jogos e do consumismo do mundo odierno. Esse é só um dos males que a hiper-realidade pode fazer. Outro mal é o super aquecimento global quando emitimos CO2 para a atmosfera e estamos causando o super aquecimento do planeta. Estamos aquecendo em nosso planeta sem perceber e fantasiando uma hiper-realidade de que está tudo normal em nosso planeta como na estória do sapo que não percebeu a hiper-realidade...
As concequencia da realidade já chegaram ao Brasil como o furacão Catarina que aconteceu em Muitos Capões no Rio Grande do Sul, secas que aconteceram em Santa Catarina e no Nordeste matando gados e o nivel do mar já subiu cerca de dois metros invadindo o continente. Se a Groelandia e os polos derreterem vai aumentar mais de seis metros e isso acaba com muitas cidades costeiras.
A hiper-realidade acontece com todos nós. Nós sempre fantasiamos o mundo a nossa volta e nunca o percebemos como ele realmente o é.
A hiper-realidade é uma dependência psicológica que nós humanos temos para fugir da realidade. Uma realidade muitas vezes rotineira e monótona. Desde quando sonhamos com uma viagem a Disney ou quando vamos a academia ou tentamos emagrecer e algumas pessoas ficam doentes com anorexia pra ficar tão bonito quanto aquele ou aquela modelo que vimos em uma foto que foi retocada e que aquela beleza sequer não existe.
Isso está obcecando muitas pessoas e acabando com o planeta e com muitas vidas. E a maioria de nós nem estamos percebendo como o sapo da estória.
Até onde a hiper-realidade pode nos levar? O quanto ela nos faz mal?
Até quando ainda vamos viver em nossa hiper-realidade sem perceber a realidade a nossa volta?

quarta-feira, março 24, 2010

Hiper-Realidade - Uma introdução ao tema


O conceito de hiper-realidade nasceu em debates antigos sobre realidade e ilusão. Walter Benjamin foi um dos primeiros teórios a escrever sobre isso no estudo da mercadoria como um signo. Fazendo assim parte da semiótica. Benjamin ia escrevendo seus trabalhos sobre hiper-realidade quando tomou cianeto para escapar dos Nazistas na fronteira com a França em 1940. Os estudos foram finalizados mais tarde por Isidore Isou no inicio dos anos 50.
Os objetos de consumo como Nike Shox etc, tem um signo de valor que significa que eles indicam algo sobre o seu proprietário como gostos, estilo de vida etc. Como uma coroa é o significante para dar o significado de que ele é o rei. Isso é hiper-realidade. Porém na realidade a coroa por ela mesma é destituida de significado.
Foi o mesmo que aconteceu com o Bezerro de Ouro que era um signo sem significado nenhum e os hebreus deram a ele o significado de um Deus.
Parece contraditório um objeto de ouro não ter valor nem significado. Mas o próprio ouro é um signo que as pessoas atribuem significado de valor. Pois o ouro no contexto dessa hiper-realidade vale muito mais do que a comida e a água. Mas na realidade se acabar a água e os alimentos por causa do aquecimento global, por exemplo, nós não poderemos beber nem comer o ouro e então morreremos de cede e fome.
Signos de valor não possuem um signficado ou valor além dos que lhe são convencionados. Nos Países Baixos, aconteceu o que ficou conhecido como a Crise das Tulipas, em que as pessoas vendiam e hipotecavam casas para comprar as tulipas cujo preço não cessava de aumentar, apenas porque, em algum momento, alguém decidiu comercializá-las a um preço muito alto, que se alastrou por todo o país. Até que alguém percebeu que não tinha valor e resolveu vender suas tulipas. Isso causou uma reação em cadeia fazendo todo mundo querer vender suas tulipas e desvalorizando as tulipas fazendo elas voltarem ao preço normal. Muita gente perdeu dinheiro com isso.
Em semiótica e na filosofia , o hiper-realismo é um termo para descrever um indício de uma expansão da cultura pós-moderna. A hiper-realidade é um meio de perceber e caracterizara "realidade". Especificamente, quando uma percepção perde sua habilidade de distinguir a realidade da fantasia e passa a se relacionar mais com a fantasia do que com a realidade e não tendo muita compreenção da realidade. Acabando assim se deslocando para um mundo hiper-real. No mundo hiper-real acontece o "aperfeiçoamento" da realidade. Como por exemplo, uma foto de uma modelo que foi retocada no photoshop ou um jardim que foi aparado para parecer mais bonito do que ele realmente é. Alguns dos mais consagrados teóricos da corrente filosófica que falam sobre hiper-realidade são Jean Baudrillard, Albert Borgmann, Daniel Boorstin e Umberto Eco.